quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Eu não sei quanto tempo vou levar para realizar os meus desejos. Sinceramente não sei. Eu queria que as coisas fossem mais fáceis, tão simples como se apresentam na minha cabeça, mas não são.
Em alguns momentos eu simplesmente deixei de me preparar pra sorte.

Cá estou eu, querendo ser muitas. Muitas formas e idéias que não saem de dentro de mim. Por muitos anos me achei sortuda por nao tomar cuidado e sempre ter mais uma chance. Agora só me vejo tendo que aprender com meus erros e caminhar com minhas próprias pernas.

Seguir um caminho que as pessoas não seguem, é glamuroso e tentador, concordo. Mas exige muito mais coragem do que eu achei que precisaria. Faz parte não saber por onde ir e se perder no meio do caminho.

Estou velejando como um navio sem rota que sabe bem onde quer chegar.
Só não sabe como.

terça-feira, 20 de outubro de 2009


...foi-se o tempo em que o simples fato de sentar nessa cadeira me tirava de tudo ;)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009


Que Deus te abençoe e te acompanhe sempre,
Que seus desejos se tornem realidade,
Que você sempre faça para os outros
E deixe que os outros façam por você.
Que você construa uma escada para as estrelas
E suba cada degrau...
Que você fique jovem para sempre!
Que você cresça para ser justo, Que você cresça para ser verdadeiro,
Que você sempre saiba a verdade E veja as luzes ao seu redor.
Que você seja sempre corajoso, Fique em pé e seja forte.
Que você fique jovem para sempre.
Que suas mãos estejam sempre ocupadas, Que seus pés sejam sempre rápidos
Que você tenha uma base forte Quando os ventos das mudanças voltarem.

Que o seu coração seja sempre feliz, Que sua canção seja sempre cantada, Que você fique jovem para sempre!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Bem-me-quer; Como eu te quero


É uma infinidade de manchas roxas que eu cultivo com carinho desde que nos conhecemos. A cada final de semana você me deixa umas mil a mais de presente, e sempre espirra em mim aquele perfuminho que me faz ter saudade de você quando o final de semana termina segunda - feira às 5 e pouca da tarde.

De segunda pra terça eu sempre me consolo no travesseiro por falta de onde enrolar os meus braços e sinto a sua falta, até a sexta chegar mais uma vez. E você me encontrar quase sempre toda maquiada e fazer questão de reclamar do meu gloss e sempre tirar a minha sombra escolhida a dedo, quando me beija. E ter a cara de pau de dizer que cozinha pra mim enquanto Poe no forno uma pizza da sadia.

E apesar de sempre me deixar com uma marquinha da sua inocente delicadeza de gigante xuxu machucante, você cicatriza cada vez mais as minhas feridas internas. Por isso eu gosto tanto de você, deliciosinho ;)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


...e saber encarar os fatos como aprendizado e divertimento. Em algum momento um estalo repentino me fez enxergar que gargalhada cura o mal, e o poder de gargalhar está no que a gente escolhe ser a cada dia.

Aprender que se aprende realmente. Que se torna mais calmo, mais divertido ou desligado daqueles antigos detalhes próprios do ócio, não era nada culpa da nossa cabeça, apenas culpa do vazio. O vazio que nós nos deixamos estar por preguiça. Deu pra perceber que existe. Não porque foi João ou Maria... mas porque foi, porque uma hora seria. Fato! E que existe paciência, e ás vezes eu nem me pego pensando de novo em 1,2,3.. e que pequenas gentilezas não matam, que da pra perceber a nossa espontanea e "sutil" grosseria a tempo de consertá-la.

Que os artistas, os loucos e os soltos vivem mais
talvez menos, na questão de tempo. Mas mais, no sentido de saber aproveitar o viver.

Meu amigo, soorria. Você nunca mais vai viver isso novamente.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cores...


Eu tentava descobrir em qual tom os meus pincéis mais se identificavam. Meus dedos dançavam suaves e ritmados com os movimentos da minha mão, quase como uma coreografia perfeita ensaiada.
Eu não precisei de mais de uma tela pra saber o que eu queria da vida. Tava ali, diante dos meus olhos o que de fato incrivelmente me preenchia, como nada antes conseguiu completar aquele buraco que existia dentro. Eram cores.

Cores que se misturavam naturalmente pelas minhas mãos e criavam novos tons. Eu nunca precisei que alguém me ensinasse a colorir. Agora eu acredito realmente no significado da palavra “dom”. Ter o dom, conseguir naturalmente, fluir... como se você já conhecesse aquilo há anos.
Rabiscar a pele de alguém como forma de arte. Dar vida. Eu sempre consegui dar vida a tudo o que eu tocava. E essa é a minha forma, através dos tons. Preencher de sonhos e significados um corpo, um papel, uma tela... seja lá o que for. Expressar por imagens o que existe de mais íntimo dentro do nosso coração.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Vazar pelo lápis e deixar que todas aquelas idéias pesem quase que unicamente num papel. Que corte, sangre, seja lá o que for... mas que não me sufoque mais. Eu preferia deixar que um peso voltasse realmente ao seu dono. Acho que chegou hora de dividir algumas coisas, queridinho. E eu sinceramente não me importo se as suas bagagens já são muito pesadas.

Sabe, a minha vida inteira você me fez pensar que a culpa era única e exclusivamente minha... mas só agora eu percebi o quanto eu não precisava acreditar nisso.
Também não me interessa o que você acha ou o quanto você se importa com toda essa historia. O que me interessa é o que eu vou tirar de mim e deixar com você. Pode ter certeza que não são mais idéias de como seria bonito te ter por perto. Eu aprendi que se determinadas pessoas não podem suportar a delicadeza de ter as mãos leves, algumas outras tem essa habilidade. E veja o que eu encontrei em mim mesma; duas mãos.

E que tudo volte a ser seu, somente seu.

“Se existe alguém que pode te machucar, existe alguém que pode curar suas feridas”

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Christian Woman


"A cross upon her bedroom wall, an image burning in her mind and between her thighs. When will you cum again? On your back or knees, there's no forgiveness for her sins. For her lust she'll burn in hell. She needs the body of christ. She'd like to know god, ooh love god, feel her god inside of here... deep inside of her."

...dessa vez alguém me segurou tranquilamente e quis me levar pra passear nos mesmos bosques escuros de antes, de mãos dadas... passo a passo naturalmente e me mostrar que não existiam tantos motivos pra ter medo. Eu tô passando pelos mesmos caminhos e vendo que o lobo mal nem sempre está presente. Que em determinados momentos as trilhas do bosque tem iluminação.
Talvez eu tenha escolhido sempre passear pela madrugada, nos horários mais perigosos, e acabei achando que aquele era sempre um lugar sombrio e perigoso. E alguém ta me mostrando que pode ser ao contrário, que pode ser seguro.

E sabe, dessa vez eu não quero fazer barulho e assoviar pro lobo mal vir brincar comigo.

domingo, 23 de agosto de 2009


Afinidade é uma palavra doce na minha boca.

A mesma sintonia de pensamentos, um gesto simples... ler nos olhos de alguém muito mais do que dizem os lábios. Espontaneidade.
Sabe, como se perto de algumas pessoas você fosse mais que um salto alto e a sombra dos olhos não importassem tanto. E a sua historia de vida contasse muito mais. Gostar de alguém não pela quantidade de noitadas e porres ela agüenta com você ou o quanto ela tem de beleza, mas pelo tanto que ela te conhece, e ainda te acha um presente, mesmo com os seus defeitos. Aqueles maus hábitos nos aproximam e se tornam engraçados. Intimidade acontece. As palavras surgem, e o contato é doce e saudoso.

Espero que vocês se permitam viver o que nunca viveram e sentiram na vida.

terça-feira, 18 de agosto de 2009


The Northern Hemisphere (C. Forest)

A noite está fria e brilhantemente clara.
Cumes após cumes das gloriosas montanhas geladas
subiram para a cúpula do céu escuro.
Na paisagem, dentes cristalinos serram
as profundezas dos fiordes negros.

As montanhas perderam a nitidez e tornaram-se suaves
tingidas de azul como o grande dia de inverno.
Qual cresceria em um crepúsculos que evoluiria
lentamente para a vida.

Sobretudo os picos do céu Polar cintilariam a
radiação fantasmagórica das luzes do Norte.
Um lago congelado descarrega um fluxo igualmente congelado.
O frio é cruel e imperdoável como a paisagem.
No Norte.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


Tô aprendendo a conviver com a felicidade







...isso me consome muito! ;)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Eu sempre fui meio “sonhadora” sentimental. Sempre quis e esperei o melhor das coisas e das pessoas. Apesar de muitas porradas na cara, eu não acho que isso tenha acabado por completo. Eu também aprendi a por um pé atrás e ter consciência de que a vida não era tão simples quanto parecia. Merda também acontece, e isso é normal.

É verdade que eu vi muitas Aline’s passando por todos esses anos. E são absurdas as diferenças. Talvez eu tenha realmente me tornado um pouco menos otimista e mais desconfiada. Mas não acho que seja de todo ruim.

Eu aprendi que qualquer pessoa é capaz de qualquer coisa. Seja seu melhor amigo, mãe, irmão, namorado. E que isso não significa não confiar em mais ninguém. Quando eu estendo uma mão e entrego o meu coração, é porque antes me deram motivos. Motivos que podem ser ou não reais.

Ao longo da minha vida as decepções não me fecharam e nem me deixaram murcha. Eu aprendi que dói, dói muito. Doía muito mais do que eu achava e vai doer muito mais do que eu imagino também. E foi exatamente a intensidade dessa dor que me deixou um pouco mais tranqüila. Porque eu aprendi que até estar em prantos naquela cama sem ar e sem nenhuma vontade de continuar no dia seguinte, também passava.

Talvez fosse melhor deixar de contar as horas pra viver as horas. Ainda que elas machuquem.


Quero saber o que mais deseja
e se ousa sonhar satisfazer
os anseios do seu coração

Eu quero saber se você
correria o risco
de parecer tolo por amor
pelo seu sonho e a alegria em estar vivo

Eu quero saber se já foi até o fundo
da sua própria tristeza
se as traiçoes da vida o enriqueceram
ou se você se tornou murcho e fechado
Por medo de mais dor

Quero saber o que te sustenta
quando todo o resto desmorona
e se nos momentos de solidão
você realmente gosta da sua companhia.


Você pode ver beleza todos os dias
ainda que ela não seja sempre tão bela?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


Sabe, nós somos dois viciados.

Você das suas certezas e eu do meu paraíso particular.


Se finalmente conseguirem cortar as minhas asas, sinceramente, prefiro a morte.



Eu não sei exatamente quanto tempo faz que as coisas parecem ter se “emaranhado” todas num “fuzuê” de merda entre; obrigações-insatisfação-dor de primeiro amor-cansaço-frustrações e uma vida que não cabia em mim.

Bom, de novembro pra cá eu não vou dizer que as coisas estão um mar de rosas. Mas também não posso ser injusta. Eu achei que 2009 pra mim seria lindo por finalmente ter me livrado de algo que me perturbava muito e finalmente, pela primeira vez na vida ter achado alguma coisa que eu realmente gostasse. Eu precisava demais me sentir completa.

Sempre me cobraram a tal da responsabilidade de saber o que eu queria pra minha vida e me dedicar a alguma coisa, enfim, estudar. Quando de fato eu me afeiçôo por algo, obviamente esse algo deveria ter alguma coisa de “errado”, ou não seria eu HAHAHAHA.

O fato é que eu nunca procurei mesmo a aprovação de ninguém, e de muitos meses pra cá eu tenho aprendido muitas coisas. Às vezes gritar não leva a nada. Da forma mais cruel eu tive que entender isso. As pessoas não querem ouvir você gritando e às vezes não querem também te dar margens para explicações. Talvez se a gente julgasse menos e ouvisse um pouco mais o que acontece dentro da cabeça de quem está do nosso lado, algumas situações fossem mais simples. Mas quando a vida inteira você queima o seu próprio filme, essa é a conseqüência que se paga por não te levarem a sério.

Enfim, fazer o que deve ser feito, contar 1, 2, 3. Excelente, nem doía tanto mais. O Diego foi uma ótima escola de como me irritar e “não transparecer.”

Eu fui sozinha e as coisas não foram tão fáceis quanto eu achava. Já passou da metade do ano e agora eu acho que to começando a colher os frutos de todas as coisas que eu plantei. Eu lembro bem de muitas vezes sentar naquele balanço pra pensar na vida e desejar que as coisas fossem um pouco diferentes ou pelo menos tentar resgatar o meu equilíbrio. “Não pirar” tem sido o meu mantra há meses.

E a única coisa que eu posso dizer é que ainda vale a pena. Sabe, eu não suportaria ter que recolher novamente as minhas asas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009


Chorando pelo vazio.

Sabe, sempre achei muita ignorância da sua parte pensar que existia vazio. Pra todos os lugares que eu olhava existia vida. E vida nunca tem a ver com vazio. Talvez você estivesse mesmo morta por dentro. Mas nada que não possa te ressuscitar.

Ei, você viu o sol brilhando hoje de manha? Eu sabia que isso perturbaria a sua cabeça. Claridade nunca foi algo que você admitiu muito. Eu sei, você nunca quis que alguma coisa te enxergasse por dentro. Olha só, eu acho de verdade que você quer mesmo é ser assim, sabia? É... desse jeito chato muito pra baixo. Eu nem acho que as coisas são tão lamentáveis como você vê. Então deixa dessa.

Um dia vai fazer muito sol, muito sol, o dia inteiro. A primavera já ta chegando. E aí eu quero ver qual desculpa você vai dar pro mundo. Vai se enroscar no edredom mais uma vez? Sua fraca! Todo mundo já percebeu que não passa de um defeito seu, só seu. Não tem mais nada a ver com a forma que a sua vida leva.
Mas ta, vai. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. A Clarice dizia que nunca se sabe qual deles sustenta o nosso edifício inteiro.

Buona notte, principessa.

Riposi in pace ;)

domingo, 9 de agosto de 2009


Excêntrico
adj. Que não tem o mesmo centro. / Fig. Extravagante, original, que pratica excentricidades, ridículo, esquisito: indivíduo excêntrico.

Hoje eu agradeço a todos os problemas que tive na vida, um por um. Por terem me tornado quem eu sou hoje.


...e continuo preservando o meu direito de rir alto.

Você também é artista? isso nãããão passa! HAHAHAHAHAHAHAHAAHA

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


É muito comum falar de amor. E parece que muitas vezes medonho também.

Eu sempre quis me sentir tocada por algo que fizesse o meu coração bater de verdade por mais de um mês. Alguma coisa que não fosse simplesmente paixão. Que não precisasse necessariamente chegar fazendo barulho, rasgando as coisas e mudando tudo. Algo que depois de pouco tempo fosse embora e me deixasse toda descabelada e desarrumada precisando achar o centro. Alguma coisa que finalmente tocasse um coração tão sensível e ao mesmo tempo “impenetrável”.

Sentir falta de um amigo, to falando de saudade mesmo, boba. Gostar de algum homem pelo que ele era e o quanto ele me conhecia e não pelo quanto de beleza ele tinha. Fazer questão de alguém, gostar de alguma coisa tão verdadeiramente que me fizesse colocar isso antes de tudo, e entregar o que eu tinha e arrumar o que eu não tinha pra conseguir.

A minha vida inteira eu acho que me afastei inconscientemente de tudo que me fizesse sentir de verdade. Não que eu não gostasse das coisas ou das pessoas, mas eu me achava suficiente. Eu achava que me bastava, e as coisas não são assim. Uma vez me disseram que ninguém vence sozinho. E é real, ninguém vence.

Por mais esquisito que fosse, eu sempre quis aquela tristeza estranha da saudade, ainda que o não sentir fosse a minha “defesa”, não sentir também me deixava isolada. Uma parte estranha no mundo. Eu precisava me sentir tocada. Chorar e ser real.

Sair de casa me fez ser o inverso do que eu era. “Uma estranha dor humanizou a minha alma”. Pode parecer esquisito e contrário do que geralmente acontece. Mas a saudade de todas as coisas e pessoas, a distância, a solidão e a dor ao invés de me tornarem mais frio ou fechada, me humanizaram.

Fato, que hoje eu sei o que é amar alguém. E aprendi bem as grandes diferenças entre o amor e paixão. E descobri o que caracteriza alguém de quem a gente ama e quem a gente gosta, simplesmente. E aquele lance de gostar tanto de algo a ponto de dar as forças do útero pra isso, também está valendo.

Sabe, é muito mais doloroso sentir e fazer questão. Mas é muito mais gostoso e menos só, também.

terça-feira, 28 de julho de 2009


“Vazar pelo lápis, deixar o grafite rabiscar pelo papel o que corre veia a dentro”

Corpíssimo cansado, alma mais ou menos lavada. Parece que as coisas estão andando novamente. Por quê a gente insiste em ter aquela escrota mania de se preocupar com tudo? Odeio esses pés balançando, ainda que me lembrem que tudo o que vivo é intenso. Não teria sentido se não fosse isso.
Nada me paga o prazer de trabalhar sentindo que eu estou brincando e ter o poder de colorir na pele de outra pessoa sua própria mente, sonho, criatividade...

Nós somos os grandes “transformadores” de idéias e marcas em arte

Apesar dos pesares, eu me encontro muito em todos esses tons ;)

quarta-feira, 22 de julho de 2009


A medida que se cresce é comum olhar pra trás e pensar no quanto a gente não sabia muito e tudo parecia tão grande e fácil. São tantas fases que parecem ter acontecido ontem e ao mesmo tempo que o tempo passa rápido, esses poucos meses eu vi muitas formas de Aline se manifestarem. Em toda a minha vida eu nunca aprendi a cuidar tão bem de mim mesma como nesse último ano.

Essas crises de solidão, abnegações, barreiras, dificuldades. Eu nunca perdi tanto pra poder ganhar como nesses meses. Eu também nunca me calei tanto e abandonei aqueles hábitos exagerados e teimosos que muito me orgulhavam. E que apesar de serem realmente motivos de orgulho, me machucavam.

Ainda sinto saudades do sol, dói um pouco sentir alguma perna encostar nas minhas quando vou dormir. E muitas horas do dia eu me pergunto em que parte da historia se perdeu todo aquele entusiasmo e aquela alegria. Qual foi a hora que essa tristeza esquisita sequestrou o brilho sem que eu nem tenha notado? Eu entendo a raposa que ronda até atacar, mas me perco em qualquer outra forma que nunca se manifesta e mata do nada. O ponto é que eu simplesmente perdi o ponto. E não sei conde recuperá-lo.

Às vezes a gente quer mesmo dizer que é tudo culpa do inverno, que no verão a essa hora eu ainda estaria de biquíni enrolando pra dormir. Que as janelas estariam abertas, o ventilador ligado ou eu estaria voltando de algum bar qualquer. O frio sempre me recolhe, sempre da preguiça, desanimo. Não da nem vontade de sair da cama à tarde pra desenhar.
Se fosse verão eu estaria xingando pela casa o quanto me revoltava pegar ônibus e me despencar até qualquer canto embaixo de um sol insuportável que me lembrava muito o mau humor típico da TPM. Mas eu voltaria feliz. E o inverno sempre me desanima pra sair de casa.

Desgasta mesmo, eu sei. Qualquer caminho pra vitoria sem dúvidas não é feito de rosas. Existem um milhão de pontes e semi-deuses... saídas e focos. Mas se as minhas idéias não fossem fixas, eu jamais alcançaria os meus objetivos.

Capaz que eu ainda enlouqueça mais do que já enlouqueci. Me foda mais. Aquela visão tão otimista e bonita de tudo não fica mais tão presente na minha cabeça. Eu sei que as coisas não são fáceis. Mas eu não penso em desistir nunca. As coisas que eu passo são por escolhas que eu mesma fiz. E eu pago cada uma delas porque sei das recompensas.

Caiu na rotina, no desgaste, na loucura. Eu to pirando, mas to onde eu preciso estar.
É só pensar como um organismo doente. Tudo o que eu preciso fazer é agüentar firme e me cuidar, até que ele se cure.

Eu sei que se eu fosse “normal” tudo seria mais fácil. Mas seria muito menos satisfatório. Ser comum nunca coube em mim mesmo.


"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semi-deuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o."

Nietzsche

segunda-feira, 20 de julho de 2009


Eu sinto bastante saudade das nossas conversas sim, principalmente as que a gente tinha antes de dormir. Saudade de jantar vendo novela e discutindo o quanto alguma cicraninha era sacana. Saudade dos seus gritinhos histéricos, dos seus sapatos espalhados pelo quarto. Da cama sempre arrumada. Até de quando você chegava falando italiano alto pela casa.

E aquela fumacinha típica de quando a minha mãe fritava bife, hein? E a Lily sempre deitada entre o corredor e a porta da cozinha. Os pulinhos na janela, aquelas crianças chatas gritando às 5 horas da tarde toooodos os dias. Eu sinto muita saudade de chegar em casa e abrir a porta e ter sempre alguém falando ou discutindo. Das minhas bagunças aos finais de semana e até daquelas baladas monstras que me deixavam tensa e destruída no dia seguinte. Daquele calor insuportável, da pedra do arpoador. Dos roles miados da Samara, de cantar bêbada as 6 horas da manha na orla de Copacabana. Das reboladas da Gabitch, as mordidas doloriiiidas que o tety sempre dava nas minhas bochechas. O melzinho da Lapa, o abraço do Ulysses... do movimento, dos meus medos incríveis e daquela parte que ainda não tinha crescido mas também não queria ser só mais uma menina.

É, virar adulto é complicado. Porque implica em abnegações e responsabilidades e isso quer dizer que você está sozinho, não porque está só, de solidão física. Mas porque ninguém vai resolver ou fazer por você.
Mas Também tem o preço único de ser jovem, ter a mesma resistência dos 15 anos e o poder de ser quem você quer ser e fazer o que tem que ser feito.
Vale a pena, ainda vale a pena ;)

quinta-feira, 16 de julho de 2009


"Vc pode sentir isso te esmagar, e parece que tras o pior de vc pra fora.. nao há fuga. De todas as cores que vc brilha, com certeza essa nao é a melhor. Eu sei que vc se sente só... e que ninguém pode te entender. Mas nunca de as costas para aqueles que te ajudam. Bom, eles amariam te salvar.. vc nao sabe o quanto eles amam te ver sorrir. Mas essas cores que vc brilha, com certeza nao sao o seu estilo"
Crossfade.

quarta-feira, 8 de julho de 2009


Quando eu te olho me vejo há um tempo atrás, sabia? Engraçado, você ainda tem a suavidade, a doçura e a mesma ingenuidade que eu tinha aos 19 anos de idade e acreditava ser pra sempre. Quase ninguém mais carregava isso. Foi um erro aquela noite beber e te dizer pra perder o que não se deve. Eu, mais do que qualquer pessoa, sei disso. Sei que é tudo uma roda, é um movimento cíclico. Mas talvez eu tenha feito pra te proteger... te proteger do mundo, mas esqueci de dizer pra se proteger de si mesmo, isso foi um erro.

Eu não queria errar como erraram comigo. Eu não me tornei uma “menina má”, nada disso. Sabe que eu ainda enxergo em mim um pouco do que você tem? Um pouco. Talvez eu já não seja mais tão suave, na verdade eu sou, mas eu também tive que aprender a ser mais real, principalmente comigo. Cada ferida e cada soco que eu levei no estômago me obrigaram. Eu não queria que isso se repetisse com você, mas vai se repetir. Mas não se preocupa, todo mundo vai dizer pra você se preocupar. Não se prepara, como eu fiz.

Sabe quando eu disse que as pessoas sempre te preparam pro mundo e nunca pra si mesmo? Exatamente isso que fez ser um erro te dizer que era “normal”. Não devia ser normal. Não é normal, é comum. Lembre-se sempre disso. Você vai sofrer, muito mais do que já sofreu, se você acha que já sofreu. E você vai se revoltar. E quando você apanhar tanto e descobrir que a maior parte das pessoas são assim, a primeira coisa que você vai lembrar, é justamente uma das primeiras que você deveria esquecer. Não tente ser como elas. Quando você se prepara pro mundo, muitas vezes você se torna um monstro quase a altura. Porque se proteger do mundo vai te fazer criar pessoas iguais as que um dia te fizeram sangrar.
Sabe essa ingenuidade que você carrega e toda essa leveza que quase ninguém mais tem? É o principal pra te fazer bem. É i que vai te sustentar. Não acredita neles não. Se protege sim, não seja bobo. Mas não siga o caminho dos outros.


“Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.” Nietzsche.

Hey, capitão. A vida não é um filme, então trate de dar o fora com suas idéias e sonhos. Ei, eu já te disse que umas bebidas, cigarros e noitadas poderiam me aliviar? Eu não dou um mês pra te ver fora daqui.
E não volte, capitão. O senhor é cheio de ladainhas. Vá embora com seus sonhos feridos daqui. Eu sempre te vejo sorrindo de longe e bem, eu nunca entendi de verdade o motivo. Parecia uma suavidade típica de quem acredita e logo se machuca. Ah, capitão, vamos embora! O barco vai afundar, eu sempre te avisei que havia mil buracos aqui dentro, ok?! Eu entrei pra gente se divertir no mar, lembra disso?

Vamos, capitão. Tire esse sorriso típico do rosto, senão você vai morrer afogado.

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Na preguiça de passar mais textos do meu caderno pra cá, vai um antigo que tinha aqui mesmo.

Quer saber? Não, você não vai querer saber. Mas essa noite, especialmente, eu senti muita raiva sua. Eu não acredito nas suas mentiras e não tenho muito estômago pra você. Cada palavra que sai da sua boca parece muito perfeita, mas isso ofende a minha inteligência.

Dava pra conseguir esse tipo de coisa muito fácil com outros tipos de pessoa que você está acostumado. Eu queria muito te bater, muito mesmo. Eu queria te ver sem essa máscara de bom moço que você colou no rosto. Eu acho até que você nunca tira ela pra dormir, sabia? Já se acostumou. É bem capaz que você mesmo acredite que essa é a sua cara verdadeira. Mas o seu rosto não é bonito da forma que você pinta, e você também não é uma pessoa suave. Porque você não está em paz. Você nunca está em paz. E é isso que você leva pra vida das pessoas. Essa energia baixa, a miséria espiritual que você sempre está.

Eu sei os tons que você pinta e a pose de santo que você incorpora. Eu acho mesmo que você engane todo mundo muito bem, parabéns! Ninguém te conhece de verdade, olha que magnífico, não é mesmo? você não existe! Pois é, cara... é verdade. A real é que você não existe e se você não existe, ninguém gosta de você. As pessoas se solidarizam com o personagem que você criou. Mas pra você nunca sobrou nada. Nada, nada, nada, nada. Porque mesmo que você mostrasse quem é de verdade, as pessoas sentiriam pena, mais do que já sentem, com nojo. Nojo do perfeito babaca egoísta que você é.

domingo, 28 de junho de 2009


Hoje a minha mãe chegou de viagem. Nós não moramos juntas. Há dois anos. Ela e meus irmãos continuam no Rio. Eu sempre fui Paulista por opção. E cariocas que me perdoem, mas eu amo muito mais São Paulo. Não to querendo dizer que necessariamente um lugar é mais bonito que o outro ou coisas do gênero não. É uma questão de gosto mesmo, total pessoal. Afinidades.

Com 9 anos de idade eu já sabia que essa ia ser a terra pra construir a minha vida. E o engraçado é que a sensação que eu tenho, é justamente de que eu nunca construi uma vida no Rio de janeiro. Nada grande, nada adulto, nada que me parecesse mesmo real. Eu acho às vezes que a gente meio que tem uma missão, sabe? Em alguma coisa, com alguém ou algum lugar. Eu só parti na minha hora. Levou um tempo pra descobrir o que eu queria pra mim, mas eu me achei.

Há exato um ano atrás eu estava extremamente mau humorada, chorona e vazia. Eu nunca vou esquecer do dia que voltei do trabalho chorando e soluçando enquanto a minha tia dirigia com uma mão e com a outra segurava a minha.

- Você é muito nova pra realmente saber o que significa estar vazia.

Eu realmente me sentia vazia. Demais.
Maeu salário inteiro era investido em roupas, baladas, um pouco de maquiagem. Dívidas no cartão de crédito. Um monte de sapatos que eu mal usei, tendo sorte dos que eu usei realmente. Era a minha forma de me preencher, de alegrar um pouco uma vidinha agitada, mas muito sem graça que eu levava.

- Aline você tem tudo! É jovem, bonita, tem uma amiga que ta sempre do seu lado. Mora num bairro bom, tem uma boa condição de vida. Emprego, estudo. Você não é vazia. Você não tem motivos pra se sentir infeliz. Entende, meu amor?

Não, eu não entendia. Eu compreendia muito bem o que ela falava. Mas não era suficiente. Eu não queria aquele emprego, eu queria algo muito maior que só eu podia me dar, e aquela ainda não era a hora. Eu precisava de mim mesma. Precisava me encontrar.
Pular de curso em curso na faculdade, prestar vestibular sei lá quantas vezes. Gostar de alguma coisa e ainda sim não sentir que aquilo tem tudo ou o suficiente pra te preencher não era nada fácil pra mim. Se é pra fazer algo, que seja bem feito. E pra isso é preciso bater forte aqui dentro e me fazer vibrar.

Eu gostava de muita coisa diferente e isso me embaralhava demais. Eu gostava de várias porque nenhuma delas era suficiente pra me prender. Nenhuma tinha exatamente o que eu buscava. Sempre faltava algo. Sabe quando você encontra alguém muito legal e essa pessoa é divertida, bonita, engraçada, te da valor... mas não faz o seu coração bater bem forte e você não fica tão ansioso na hora do encontro? Sabe quando falta alguma coisa, aquele sal? Era tipo isso...

Aquela mulher me pressionando todos os dias também não ajudava nada. Eu me sentia uma bonequinha na mão das pessoas. Por favor, alguém aí perguntou se eu estou satisfeita?
Desculpe, mas... alguém me perguntou se eu estou feliz, se é isso que eu quero pra mim?
Eu não vou começar. Eu juro que eu não vou começar enquanto eu não tiver certeza! Por que eu não acho um curso do meu gosto? A Elisangela vai ficar falando, Deca. Ela sempre pergunta da minha faculdade. Eu só tenho mais uma semana pra descobrir o que eu quero fazer a vida inteira. E ainda não tem nada que realmente me empolgue.

Me matava aquela expectativa enorme em cima de mim.
- Você tem um excelente emprego. Não seja burra, tenta crescer La dentro.

“Olha essas tatuagens! Que cor é essa de cabelo? Aline, você usa muita maquiagem. Já foi ver sua faculdade? Você sabe que nada vai te segurar aqui sem um curso, mocinha. E essas pulseiras, não são muito grandes e brilhantes? Os esmaltes que você usa não passam seriedade. Eu te acho muito criativa e muito inteligente, por isso eu quero que você suba de cargo. Mas antes você precisa ser outra pessoa, ok?! Claro que ta ok, Aline. Quem decide aqui sou eu ;) ou senão você vai ficar pobre.”

Eu tinha muito medo de ficar pobre. Elas adoravam me deixar muito mais insegura. Quem se sente inseguro não arrisca, vai pelas idéias dos outros. Uma menina tão bonita e tão inteligente não poderia desperdiçar tantas chances, não é verdade?

“Faça tudo o que eu mandar e você vai ser feliz pro resto da sua vida”

Pronto, explodiu! Eu não agüento mais, cansei. Cansei de muita conversa, cansei de muito conselho que eu sequer pedi. Vem Ca, me lembrem por gentileza a hora que eu pedi a opinião de vocês ou que alguém me aceitasse, porque eu mesma não estou lembrando.

Eu nunca disse que esse era o emprego dos meus sonhos. Que eu queria morar em Moema a vida inteira. Eu também nunca achei que RH tivesse alguma coisinha a ver comigo. Eu odeio todas essas formalidades, essas bostas de roupas que só servem pra me fingir ser algo muito diferente do que eu sou de verdade. O diretor do Itaú não deve estar nada afim de olhar as minhas tatuagens. Porque vocês escolheram justamente eu pra cobrir as férias da “braço-direito” dele? Isso não tem nada o meu perfil.

Já não bastava aquele babaca me azucrinando o dia inteiro e tentando tirar o pouco da paciência que existia dentro de mim. Eu resisti bravamente até o ultimo segundo do jogo. Ser tirada de campo foi um alívio. Deus do céu, como eu queria isso!
Vocês falaram muito e aconselharam tanto, me colocaram tanto medo. Que isso me deixou tão perturbada e tão frustrada que me Fez abandonar o barco muito mais cedo. Por mais que eu tivesse medo do mar e não fizesse idéia de quantos tubarões eu ia ter que enfrentar dali pra frente, com certeza nadar em algo tão assustador me faria muito mais feliz que as “seguranças” dos seus navios. Não era isso que eu queria pra mim.

Com 6 anos de idade eu lembro bem do meu avô sentado lendo umas revistas enquanto eu abria aqueles sacos de batata frita que sempre vem com algum brinde dentro. Era uma tatuagem.

- Vô, eu bem quero fazer uma tatuagem quando eu crescer, sabia?
- Oh, minha filhinha. Tatuagem é feita com agulha e dói.
- É?!
É. É feita com agulha e dói. 16 anos depois eu é que estava “fazendo as pessoas doerem”.

- Fábio, eu quero fazer o seu curso de Body Piecer.
- Porra, nem da grana, Aline. Se você tiver afim de aprender a tatuar cola aí. Mas Body Piecer não sustenta ninguém.
- Eu tenho muita vontade de tatuar, demais. Mas não da. Eu já pensei muito nisso, mas eu nem sei desenhar.
- E daí? Eu também não sabia.
- E como é que você aprendeu?
- Na marra. Eu tava passando fome e precisava aprender alguma coisa.

Enquanto ele fazia a minha pintinha e perguntava o que mais eu queria, eu respondi:
- Virar tatuadora.
- Seu desejo é uma ordem então.

Me deu vontade de chorar. Eu sabia que eu tava onde eu deveria estar e aquilo me deu medo. Ninguém me incentivaria. Você acha mesmo que eu ia contar pra alguém, alem da Fernanda, sobre esse curso? Jamais. Eu já me sentia suficientemente insegura. Não precisava de mais ninguém pra me por medo e talvez me fazer desistir. Cagasso mesmo! Eu me borrava toda quando pensava nisso.

Mas e se não me sustentar? E se eu passar fome? Porra, amiga... eu não quero ser pobre, cara. O que é que eu faço? Sigo o meu coração ou faço alguma coisa que me de dinheiro?

A Elisangela sempre dizia que os prazeres vinham depois. Que até pra fazer o que se gosta, você precisa de dinheiro. Eu concordo, em partes. Mas isso tem muito mais a ver com que tipo de vida você quer.

Pra quem torrava o salário inteiro em um monte de merdas que me cansavam em menos de três meses, quem diria que agora eu to ralando sozinha pra comprar tudo o que eu preciso, hein? Nada de roupas novas e da um tempo nas baladas, mocinha. Você sobrevive sem isso.

É, as máquinas são caras. Me deixaram sem dinheiro algum. Eu tive que trocar de material um monte de vezes, porque a falta de fiscalização e a falta de ter um tatuador amigo do teu lado pra te dizer onde comprar cada coisa, faz muita falta. Uma falta que custa muito caro. É tinta batizada, agulha mal soldada, biqueira errada e nego que usa má fé pra enganar quem não entende nada. Máquina de péssima qualidade que só vai fazer você ter ainda mais dificuldades em algo que no início já parece impossível. Ou você acha que é muito fácil fazer um traço limpo numa “caneta” que treme o tempo inteiro? É uma marca pra vida inteira, sente o peso.

As tintas aquarela pra desenhistas fazerem séries são absurdamente caras. Com uns 300paus você compra as cores básicas. Os papéis? Pior ainda! 80 reais numa única folhinha de boa qualidade, e você desperdiça um monte delas aprendendo a pintar. Se fosse naquela época que eu gastava aos montes dava pra comprar tudo de uma vez só, rindo. Agora eu penso mil vezes quantas pessoas eu preciso tatuar pra cada lance que eu tenho que comprar. E vender aquelas bolsas, sapatos e bugingangas que só servem pra ocupar espaço.

É assim que a gente cresce, basicamente sem a ajuda de ninguém. Não fui eu que gritei e me estressei, não fui eu que falei que não queria mais ninguém falando um “ai” das minhas escolhas. Eu falei pro prédio inteiro ouvir que eu ia ser tatuadora e coitado de quem se metesse. Eu já sabia que a partir daquele momento eu estava dando adeus as companhias que eu tinha pra caminhar sozinha.

É justamente o que me faz ser tão orgulhosa de ser o que sou e ver a pessoa que eu me tornei. Eu senti muito medo da estrada, vocês não fazem idéia. Me perdi um milhão de vezes, quase fui estuprada. Me assaltaram, parei pra pedir ajuda. Teve gente que me mandou voltar lá pro começo e ir por outro caminho. Pra minha sorte eu fui fazendo uns amigos nas andanças. Muita gente ficou com pena do meu desespero e resolveu me ajudar. Muita gente já se perdeu aqui um dia e sentiu medo desse escuro, das caras feias. Que tatuador nunca chorou e pensou: vou desistir dessa merda? Até hoje, nenhum que eu conheça.

Eu ainda não peguei a manha dessa tinta não, ta? Ainda descubro como fazer degrade. As minhas linhas também não estão tão perfeitas. Mas pela primeira vez na vida eu me sinto perto de mim mesma. Sabe aquele “sal” que aquela pessoa bonita, divertida e simpática não tinha? Então, esse cara meio esquisito, de cabelo bagunçado e idéias malucas tem, tem demais. E eu to completamente apaixonada por ele. Eu acho até que encontrei a minha alma gêmea.

O brilho da lareira já quase apagava e eu ainda sentia o cheiro doce de cravo misturado com milho. Resgatei uma antiga poesia que eu costumava queimar nas noites de Imbolc.

Desde que tive depressão, há quatro anos, essa foi a primeira vez que consegui resgatar verdadeiramente o que nunca morreu dentro de mim de verdade. Eu não me senti morta por todos esses anos. Mas muitas coisas gritavam ao meu redor e além de bom senso, o meu eu soube esperar o momento certo, atrás da fila, depois de tantas gritarias e empurrões pra falar calmamente comigo.

A forma que eu encontrei a vida inteira pra matar saudade de alguém ou me sentir em companhia, sendo ouvida, é através do céu.
Todas as férias eu viajava e sentia muita falta da minha mãe. O que me deixava menos triste e me aproximava um pouco dela era o céu, e a lua. Essa era a única coisa em comum ao nosso olhar, a única coisa que a distância não poderia separar da gente. E dessa forma eu me sentia conectada a qualquer pessoa.

Era janeiro, fazia muito calor e ao mesmo tempo muito frio, dentro de mim. O meu estômago gelava, e era madrugada. Eu sentia medo, muito medo de não dar certo, porque eu queria demais. Sem conseguir dormir eu precisava me acalmar. Conversar com as pessoas quase nunca me aliviou. Eu precisava conversar com alguém em silêncio. Alguém que realmente sentisse o que se passava aqui dentro.
Além do céu, eu sempre gostei muito de altura também. Sentar na janela e observar os sinais “vermelho, amarelo, verde”, os carros passando, o silêncio e as poucas luzes que ainda viviam na madrugada sempre me acalmou demais. Eu nunca me senti em maior companhia, porque principalmente no silêncio eu me visitava.

O horizonte sempre me fez pensar no quanto qualquer coisa pode ser insignificante. O meu “consolo” sempre foi olhar pro fundo, o máximo que eu podia. Além do que eu via existiam muitas coisas, muito mais pessoas e milhares de luzes piscando em combinações que eu nem fazia idéia. Quando eu voltava o filme e pensava na janela, no choro e o problema, tudo isso acabava virando um grão de areia. Ou quase isso. Porque o mundo não parava. A roda ainda ia girar.

De dia, a noite, no mato ou no meu quarto. Sentada na janela de madrugada ou na grama ainda meio molhada do sereno da noite anterior, enquanto o sol florescia mais ainda o vermelho do meu cabelo. Não importava se eu estava de saia ou enrolada no cobertor. Era sempre o horizonte que eu procurava. Eu tentava sempre ver além, encontrar paz. Ali eu sempre conseguia me conectar comigo mesma.

Cada um encontra sua forma de se conectar com o todo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009


Milhões de bitucas de cigarro espalhadas pelo quarto, latinha vazia de cerveja, garrafa de vodka pela metade, jurupinga em extinção. Ah, sem contar na tequila que eu deixei cair no chão da sala final da noite, ou melhor, início do dia, quando tentei levantar pra vir “dormir”.

Tem que ta muuuuuito bêbado mesmo pra conseguir dormir aqui dentro. O quarto fede a álcool. Fede muito a álcool, cara. Você ainda tem que dividir os espaços que sobram com um monte de bêbados espalhados pela cama, chão e etc. E quase sempre algum deles agarrado no meu toba. Grande toba! Branquinho, fofíssimo e fiel companheiro de noites tristes e solitárias. Ele sempre me consola.

É tudo uma grande zona. Podreira total. Se eu contasse pra quem não me conhece que essa é uma rotina religiosa dos meus finais de semana. Que os meus domingos são dedicados a tentar recuperar a minha alma e moral e ao “bem estar da casa”, arrumando a zona e colocando tudo em ordem, ninguém acreditaria que eu perdi a virgindade com 21 anos de idade na cara. Pois é. Muito menos o meu porteiro acreditaria.
Ele sempre me vê voltando de braço dado com alguém. É um “ir e vir” de macho aqui dentro, e ele com certeza não deve achar que são só meus amigos. Que garota bonita, baladeira e jovem de Moema faz isso, além das primas? Quase sempre eu to com o sapato na mão, rindo muito alto, falando merda ou tentando falar e a saia quase virando cinto. Que cinto lindo! Me avise sempre que ela subir, Fernanda.

Colocaram corrimão lá na entrada do prédio. Eu ainda to na dúvida se é pra crianças e idosos ou se foi um gentil presente pra minha pessoa. Quando eu desço pra academia o espírito cara de pau me possui. Cumprimento todos com um enorme sorriso no rosto e uma simpatia única de “boa moça”, as bochechas ficam até douradinhas, tem que ver. Mas eu sei que eles sabem hahaha porra, se sabem! De todos os palavrões e festinhas que rolam aqui dentro. Ainda sim eu tento disfarçar.

A minha tia sabe, os vizinhos ouvem, os porteiros riem, a minha mãe desconfia. Minha Irmã ta careca de saber. Mas eles todos fingem que eu não sou nada marginal.

“Eu quero ver todo mundo trepando mermo”

Hoje me falaram que eu estava precisando de sexo, e pô, eu nem tava de mau humor, cara. Eu seria a pessoa incrivelmente mais feliz do mundo se os meus problemas se resumissem nessa falta.

Isso me fez lembrar das vezes em que eu quase morri, perdi o ar, fiquei vesga e subi pelas paredes nas mãos de alguém, louca pra dar e “não podia”. Não podia?! Não podia é o cacete! Mas eu era muito babaca. Fazer “miserinha” nunca fez ninguém respeitar ninguém. Tudo hipocrisia. Quanto mais eu tentava achar alguém que me respeitasse, mais eu caia em relacionamentos de babacas. Hoje em dia eu quero mais é que se fodam. Se eu tiver com vontade de dar eu dou, porque eu dou o que é meu e ponto. Do contrário também vale. Eu acho uma das maiores traições que uma mulher pode fazer com ela mesma. Transar, sem vontade de transar. Independente do motivo, eu não me violo a esse ponto.

Eu me lembro de muitas vezes já ter sido tratada como uma “putinha” como essas aí que tem aos montes na vida, e isso fazia eu me sentir um lixo. E olha que eu sempre me dei ao respeito. Eu também já ouvi asneiras do tipo: você fala muito palavrão, tem muito amigo homem e vive dando festa. Para de beber um pouco pra algum homem te levar a sério.

Ta, aí eu paro de beber um pouco até um homem me levar a sério, e depois que ele levar, o que eu faço? Volto a minha vida? Viro uma pessoa que ele não conhece? Pra que? Aliás, pra quem? Quem foi que disse que eu quero um cara que não sabe respeitar o meu jeito e que não curta isso? Eu sou isso aí mesmo, cara. Eu fala palavrão, sou viciada em balada, prefiro amizade dos homens e eu quero alguém que me acompanhe nisso tudo. Já tentei ser “uma pessoa melhor” e mais quieta. Mas essa sou eu, e quem quiser ficar do meu lado, tem que gostar de mim assim. Eu também sou cheia de um monte de defeitos que me envergonham e às vezes até me entristecem. Mas o ponto positivo é que além de sempre tentar ser melhor e não estagnar, eu acho que as minhas qualidades são raras de se achar em alguém hoje em dia. Por isso eu me dou ao luxo de escolher quem eu quero comigo e nao aceitar qualquer merda e manter os meus “vícios” de “vida louca, vida-a-a” e deixar que o mundo inteiro acorde enquanto eu for dormir.

Ta aí, essa Aline que não é pra qualquer um, mesmo. Eu sei que mulheres de personalidade forte e principalmente, que sabem viver e tem muitos amigos, acabam passando uma certa “insegurança” aos queridos super-machos. Mas eu não quero mesmo macho frouxo. Eu quero um homem que seja macho o suficiente pra se sentir inseguro comigo e mesmo assim ter vontade de me conquistar, medo de me perder todos os dias e ainda ache que vale a pena. E eu não tenho pressa.

quarta-feira, 24 de junho de 2009


“Boa noite, senhorita incógnita. Durma bem”

Aquilo soou como música aos meus ouvidos. Não que eu ache engraçadinho fazer pose de misteriosa, muito pelo contrário. Eu nunca tive essa fama, muito menos forcei a barra. Por mais que eu me expressasse bem em certos momentos ou gostasse de mostrar, eu sempre tive uma certa dificuldade em me fazer entender. O que se passa dentro da minha cabeça é completamente pessoal, e a forma que eu sempre encontrei de por pra fora, também sempre foi embaralhada. E ao mesmo tempo parecendo tão óbvia. O que de óbvio não tinha nada.

Ta certo que na convivência, sacar as minhas manias e respeitar as minhas “flutuações de humor” sempre foi “fácil”. Não no sentido de ter saco, não é disso que eu to falando. E sim no sentido de “sacar meu jeito”.

A “senhorita contradição, quase perfeita” ou “pirâmide cheia de labirintos”. É... eu sempre fui paradoxal. Sempre dividida entre o preto e o rosa, o amor e o ódio, a alegria e a tristeza. “Pensamentos levianos, outros nem tanto. Metade pureza, metade lascívia. Agridoce, podendo ser igualmente amarga para lábios desavisados. Embaralha-se em mil humores, tão inconstantes quanto a própria vida. Ela é a criança saltitante mas também o suicida em seu desvario."

Por incrível que pareça quase sempre os homens me sacaram mais, apesar de quase nunca entenderem bem o que se passava dentro da minha cabeça. Talvez por isso eu sempre tenha preferido amizades masculinas. Além de serem muito mais de farra, bebidas, piadinhas babacas e festas. Os homens são muito mais “da zona”, no sentido bom da palavra. Eu admiro a forma como eles aproveitam a vida, exceto as vezes que machucam as pessoas desnecessariamente ou não sabem a hora de parar uma brincadeira. Isso sempre fodeu ainda mais a minha TPM.

No meu último trabalho eu caí no meio de três homens. Eu era a única mulher do setor. Era um inferno, mas eu gostava. E eu sabia que seria um inferno muito maior se eu tivesse que dividir aquele espaço com mais três mulheres. Provavelmente tudo seria muito sério o tempo todo. Se eu já não agüento a minha TPM, quem dirá pro mês inteiro, uma semana pra cada. Deus me livre! Fora que mulheres são ótimas apreciadoras de besteiras e guloseimas a tarde, e eu me afasto ao máximo de pessoas que desequilibram a minha dieta.
Ah, sem contar o “melo-drama”. Mulheres são muito mais dramáticas. Eu prefiro ser direta. Não gostou, manda logo tomar no cu, porra! E até nesse ponto os homens me entendem melhor.

Se eu fosse lésbica, provavelmente eu faria o estilo “Joãozinho”e se eu fosse homem, capaz que meio mundo tivesse atrás de mim pra me encher de porrada. Acho que até hoje a minha tia se pergunta como Deus conseguiu fazer uma criatura tão feminina e tão perua, e ao mesmo tempo tão desbocada.

Sempre foi assim. Não tem mais jeito. Desde pequena eu falava palavrão pra caralho. Ouvia dos meus irmãos, dos amigos dos meus irmãos, de todos os moleques da rua. E eu vivia na rua. Mas eles eram homens, e eram mais velhos. A minha mãe cansava de me bater e me colocava sentada de frente pra parede. Aí sim eu começava a chorar. Eu odiava castigo, muito mais do que porrada. Porrada não me fazia chorar, me privar sim. Me proibir sempre me sufocou.
Ela também não pode falar muito, adora um palavrão. Se bem que pensando, eu acho que mais da metade ela aprendeu comigo.

E bom, eu só não me irrito muito pela ponta dos seus pincéis estarem sempre sujos de tinta, por você nunca saber onde as suas coisas estão e quase sempre levar séculos pra responder os meus e-mails, porque eu entendo muito bem, eu sei como é que é.

Já me disseram que era mal de tatuador, sabia? Cada dia que passa eu tenho mais certeza de estar na profissão certa.

terça-feira, 23 de junho de 2009


Eu adorava o barulho dos sinos de madrugada, sempre acompanhados de um cheiro doce que subia pela varanda enquanto eu observava as ruas. Mas as ruas nao me passavam nada alem de paz, eu nao tinha a menor lembrança... Era como um sonho tranquilo de esperança que virou real.

Depois de anos eu mal noto o som dos sinos, nao sinto quase o cheiro doce e as ruas se tornaram muito barulhentas e me trazem algumas lembranças que nao gosto.

Algumas vezes o meu único porto seguro também desmorona e eu me sinto sem teto, sem chao, sem equilibrio. E pior do que tristeza é agonia de ter dentro de si uma bomba que explodiu e nao saber o que fazer ou pra onde correr. Pq meu unico ponto de paz, já virou turbilhao.

Minha única vontade é correr, correr, correr... e infelizmente perceber que assim nao se chega a lugar algum.

terça-feira, 16 de junho de 2009


Manda um beijinho pros seus neurônios, eles ainda tentam ser os meus preferidos. A sua sinceridade, peça desculpas... mas eu não acredito muito nela. Ah, seu rostinho, bem... ele realmente é bonitinho mas não tem me servido tanto. Eu saí te devendo algumas coisas, mas do fundo do meu coraçãozinho rosa, muito obrigada, mesmo!

Eu to me refazendo. Os caminhos continuam abertos, as pessoas ainda podem entrar, mas os buracos estão tapados.

Eu gosto do meu cabelo assim vermelho, dessa personalidade extremamente forte, olhos grandes e até mesmo dessa mania irritante de me irritar, cansar e largar as pessoas. Talvez me falte mesmo paciência, disciplina, peitos, toleranci... ah, vocês já sabem.

To vendendo aquele bando de sapatos maravilhosos semi-usados que sempre machucavam muito o meu pé. A arte nunca esteve tão presente e preencheu tanto a minha vida. Consegui finalmente ser tocada por coisas simples e me satisfazer com elas.

Eu to mais centrada, madura, e responsável. Mas ainda sobra muito tempo e disposição pras minhas manhas e vaidades. Os meus lápis ultra coloridos, mil maquiagens, as tatuagens grandes e agressivas demais, alargadores nas orelhas. É “muita informação”, e cada vez eu to “mais suja”, mas por incrível que pareça você ta aprendendo a me respeitar mais assim.

Me tornei debochada, irônica e cínica com algumas pessoas. Vocês foram uma ótima escola, sabia? ;) Foi o máximo que certas pessoas conseguiram me dar.

Eu perdi muita gente e ganhei tantas coisas. Continuo teimosa e briguenta, ainda xingo palavrão alto pela casa. Alias, eu continuo falando palavrão pra caralho. Me desfaço rápido de tudo e todos que perturbam a minha paz. Eu descobri que essa sou eu, e essa é a minha vida. E eu não quero mudar por nada e nem ninguém.


I'm not your flower.
I’m not your scarlet rose.
And you’re not by my side.


Lálalá laralá...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Buongiorno, principessa


Foi a melhor coisa que eu pude ouvir ao acordar. Parecia que o dia me mandava ser feliz.
Eu não sorria porque eu estava bem, eu nunca estava realmente bem. Eu sorria porque precisava chegar o mais próximo disso, e conseguia. Foi essa minha forma de me elevar e “me ninar” que me salvou. Enquanto o resto do mundo invejava a minha “incrível vida fácil e feliz” da garota do rostinho lindo e sorriso brilhante. Que de feliz não tinha nada, de fácil muito menos. Mas que eu continuava sorrindo e irradiando, continuava. E era isso que matava muita gente.

Mas agora invejem, podem invejar de verdade. E invejem principalmente a minha força. Porque se eu tenho a vida que tenho, quem eu tenho e estou onde estou, foi graças a mim mesma. E agora eu to gostando e aprendendo a jogar o jogo. Sempre me convidaram e eu sempre recusei. Sempre preferi escolher o meu ritmo de música. Mas eu comecei a perceber que dançar o ritmo da música alheia ouvindo o seu próprio som na mente, é mais rápido.

Eu até tive motivos pra chorar, e sinceramente? Perdeu a graça. É, perdeu a graça. Virou pequeno, banal e comum. Diante de tantos fatos e diante de mim mesma, a única coisa que eu penso é o seguinte: Ahan, grandes merda.

Que de grande não tem nada, vamos confessar. Isso não é mais motivo pra me fazer chorar de tão banalizado que ficou. Muito menos poder pra estragar o meu dia. Aliás, pouquíssimas coisas tem realmente estragado meu dia. Há um certo tempo eu to pagando pra ver o que ou quem vai conseguir isso.


Tudo se tornou incrivelmente leve.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Being so close to myself is how close our eyes and enter into communion with God.


Tudo o que precisei fazer foi me afastar de toda essa confusão e me encontrar. Eu precisava resgatar o meu equilíbrio... e os dias ficariam mais calmos.

Deus, diante de toda essa solidão conversa comigo e me serve de única companhia. Somos só nós dois, somente eu mesma. E quando me sento na grama ainda meio molhada do sereno da noite anterior, toda manha… fecho os olhos e deixo que o sol toque meu rosto. Por alguns instantes o vento balança meus cabelos e o mundo ao redor deixa de existir. Eu ouço apenas o que existe dentro de mim, e nesse momento comungo com Deus.

Eu sei que pode parecer solitário e tão triste... sozinha, sentada na grama ainda molhada do sereno da noite anterior, deixo que o sol bate no meu rosto e que o vente balance meus cabelos. A única voz que ouço, dentro de mim… me permite comungar com Deus. Somos só eu e ele aqui, apenas eu.

segunda-feira, 8 de junho de 2009


- Me disseram que você me chamou
- Sim, chamei. Mas eu tenho você comigo todas as noites.
- Eu sei, sempre te escuto
- E porque algumas noites eu simplesmente não sinto você comigo? embora eu saiba que está sempre aqui. É porque não te escuto?
- Não. É porque você não se escuta.
- Como assim?
- Pra me ouvir, você precisa primeiro ouvir a si mesma.E ouvir a si mesma não é dar ouvidos a qualquer pensamento ou ideia que vier a sua cabeça.
- E como eu vou saber diferenciar? as duas formas tem a mesma voz.
- Porque qualquer uma delas é você. Mas só uma é realmente o seu espírito.
- Como assim? Eu não sou completa pelo meu espírito?
- Sim... e não. Uma parte é tudo que você já viveu. E isso engloba seus medos, desejos, fantasias... a outra parte é pura, é o mais profundo do seu EU. É aquilo que você é verdadeiramente.. é a sua essência, seu self. Independente da Aline.
- Mas a Aline não é esse espírito?
- A Aline é o que você faz da vida, o lugar que você escolheu pra morar, é a sua profissão, seus amigos, sua família, sua personalidade, sua cor de cabelo, suas lembranças, músicas preferidas. O seu self é tudo o que você já foi, purificado. É o que a sua alma é, independente de que vida você viva ou que nome receba. A sua alma não tem família, gostos e preferências, porque ela é uma essência.
- E como eu posso fazer para ouvi-la, e não "me ouvir"?
- É a parte mais simples e também a mais complicada. Estando em paz consigo mesma. Você lembra dos dias em que se sentava perto da janela, às vezes sem pensar em nada e me ouvia?
- Sim, me lembro.
- Nesses dias você pode ouvir porque conseguiu "se livrar" de si mesma e se conectar com a sua alma.
- E como eu sei se realmente estaria falando com ela ou "comigo mesma", em forma de Aline?
- Quando você estiver calma, e o seu coração controlar as suas emoções, ou até quando você mais precisar dela. Quando o resto do mundo sumir, qualquer ruído, por menor que seja... qualquer voz, calor ou frio. Você vai esquecer de tudo e assumir a sua própria forma, e então vai estar dentro de si mesma...
-Aline? Aline?! no que você estava pensando? Eu tô há meia hora te chamando e você não me atende. Vamos, já está na hora de ir embora.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Tic-tac...


O tic-tac nem faz mais barulho. As horas passam cada vez mais rápido, as minhas tarefas aumentam e pra completar, eu voltei a não ouvir mais o barulho do despertador. A única coisa que mantem a incrível capacidade de me acordar são os meus pesadelos pela “madrugada”.

Eu devia organizar melhor os meus horários e colocar os pingos nos “i’s”. São um milhão de pessoas falando ao mesmo tempo na minha cabeça e um milhão de coisas pra fazer. “Corre atrás, pergunta ao Ricardo, aprende, compra, pergunta ao cicrano”. Mas é tanto “cicrano”, compra e corre atrás, que às vezes eu esqueço e me confundo. E esse enjôo que não me larga, logo agora...

Será que toda sexta feira vai ser enfeitada com olheiras, expectativas e correrias? Por um lado eu bem gosto. Cada vez que eu entro dentro daquele estúdio um friozinho toma conta de mim, e o meu estômago fica cheio de borboletas dançando ballet. Não tem mais uma noite de sexta pra sábado que eu consiga dormir antes de amanhecer. A serotonina chama todos os amigos pra dar uma festa aqui dentro e nem pergunta se eu to no clima.

Eu sempre quis chegar até aqui. Quando eu paro pra pensar que os últimos meses e anos têm sido tão perdidos, confusos e conturbados. Sempre tão voltados a primeiro consertar alguma coisa que alguém estragou e depois sim, ir pra frente. É que eu realmente enxergo que nunca pisei nesse degrau. E ele é mais uma vitória.
Algumas lembranças ainda me machucam demais, e parecem querer gritar mais alto cada vez que vou andando. É torturante, eu sei. É horrível ter que lembrar do que a minha consciência nunca esqueceu e talvez nunca esqueça. Mas um dia talvez ela se canse e pare de gritar, porque eu já cansei de dizer que sou mais forte. Acho que às vezes ela duvida disso.

Dessa vez eu não vou deixar que nada me faça descer qualquer escada ou que me prenda nesse degrau por muito tempo, pensando nas coisas que eu tenho que arrumar antes de continuar andando ou que me faça perder tempo colando esparadrapos em feridas. Simplesmente porque agora eu não quero que existam novas feridas, e não vou permitir que elas apareçam. Não tenho tempo pra isso.

E eu não vou continuar ouvindo aquela música, nem dançar no mesmo ritmo. Ainda que isso me inspire.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Finalmente as coisas estão se resolvendo. Eu to me sentindo extremamente bem e feliz. Depois de todos os turbilhões seguidos que eu vinha passando desde o final do ano passado, acho que há meses eu não conseguia respirar tão aliviada assim. Parece que um peso enorme saiu das minhas costas.

Até o mês passado as coisas ainda estavam muito difíceis... eu cheguei alguns momentos a ter vontade de sumir, mas eu não podia por causa dos contatos a respeito de trabalho. Então a forma que eu encontrei de estar entre todas as coisas, todas as confusões e entre as pessoas, era entrando dentro de mim mesma. E sinceramente, foi a melhor coisa que eu fiz.
Não existe força maior do que a que fica aqui dentro... é como a chave certa do nosso equilíbrio, e eu posso dizer que é graças a ela que eu colho os frutos do que to conseguindo agora.
Esse negócio de “não desanimar nunca” é meio complicado. Diante de certos fatos a gente desanima mesmo. A única coisa que eu acho que deve sempre existir na nossa consciência, é que apesar de algumas horas precisar e querer chorar e querer se recolher, é preciso saber que são tempos... e não o fim da linha.

Eu lembro de muitas vezes ter visto a minha mãe “perder as forças” chorando, desabafando com alguém dizendo que não agüentava mais alguma situação. E continuar se mantendo em pé... mas eu também acho que se manter em pé e fazer o que precisa ser feito não é exatamente o que torna alguém forte. O que me faz caracterizar uma pessoa como forte, é ver que ela passou por milhões de coisas na vida, e além de ter enfrentado todas, apesar de chorar diante das situações, é principalmente não ter deixado que as “traições” da vida ou das pessoas tenham tirado o que elas tem de melhor, o brilho interno, a felicidade.

E era exatamente o que me matava, porque eu não podia fazer nada além de apoiar e ficar do lado. Porque ninguém podia fazer nada, alem dela mesma. Por isso às vezes eu digo que me sinto tão só, não é por ausência de pessoas... é pelo tipo de situação que eu me encontro. Os nossos sentimentos são individuais, e ter que resolver algumas coisas sozinha, às vezes me da essa sensação... porque eu sei que sou só eu comigo mesma. Mais ninguém.

As aporrinhações foram embora, e eu agradeço cada uma delas por terem me feito uma pessoa mais forte e com uma visão melhor das coisas. Eu sabia que precisava de muito do que me deixava triste pra poder crescer. E eu escolhi aprender com elas. Nós colhemos os frutos do que fazemos com as circunstâncias em que nos colocamos. Apesar de toda vontade que eu tinha de bater, gritar, espancar e me revoltar, de perder o controle, eu sabia que não adiantaria nada... quanto mais desesperada, pior as coisas ficavam. Eu só destruiria a mim mesma. E apesar de chorar, de me sentir fraca e sozinha, e perder algumas noites de sono... eu não deixei de fazer o que precisava ser feito, e não deixei de ir atrás do que eu queria. Eu sabia que o melhor a fazer, até que o furacão fosse embora, era me voltar pra dentro de mim mesma, pra me equilibrar.

Agora eu to chegando cada vez mais perto do que eu busquei. Consegui um estúdio na minha rua pra me ajudar com as tatuagens, os meus trabalhos estão cada vez melhores e mais pessoas tem me procurado.

Ontem uma amiga me disse que achava que esse estúdio me ensinaria bastante, mas que talvez não fosse aquilo que eu sempre sonhei. Mas eu não busco nele “o que eu sempre sonhei” e sim a ponte pra isso. Por que o que eu “sempre sonhei” engloba um milhão de coisas, e dentre elas aprender, pra poder ser uma tatuadora foda e ter o meu estúdio, é o principal.

Por essas e outras eu criei a minha própria forma terapêutica, que não engloba remexer em feridas passadas com um desconhecido e muito menos encher a cara de remédios que me dão a falsa ilusão de que tudo está bem. Se eu fico triste, é porque algo está errado, e se algo está errado é sinal de que eu tenho pensado errado. E se eu penso errado e ajo errado, e conseqüentemente as coisas dão errado, eu preciso mudar. E é dessa mudança que vem a minha “cura”.
Por isso todos os dias eu busco equilíbrio e todas as noites eu peço que a minha força nunca acabe, e que eu sempre irradie meu brilho. Porque nós somos o que transmitimos. E nós atraímos as mesmas coisas que estão na nossa faixa vibratória.

Being so close to myself is how close our eyes and enter into communion with God.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ich bin die Macht

Perceba; a única estrela que brilha no céu, não é única. Senão seu foco...

Se eu parar pra pensar em como as coisas chegaram a esse ponto eu vou me deprimir. A não ser que eu pare pra olhar as outras estrelas...
Tudo aconteceu de uma forma tão sutil e rápida, que o que me agrada é saber que nessa roda nada é tão resoluto que não possa modificar-se ou ser modificado. Pois bem, modifiquei.
Eu sempre quis estar do outro lado, e agora estou do outro lado. Do meu lado...
Ta certo que essa estrela, desse meu ângulo agora brilha mais. Mas se eu continuasse focada nela, as outras jamais brilhariam. Eu to falando de transmutação.
Transformação, equilíbrio, poder, mãos, foco... nunca estagnar.

Eu to tentando mudar a situação, pensar no passado não vai me deixar focar no futuro, e o futuro é o que eu tento fazer no presente. Portanto, perder tempo pensando no que me deixa triste vai tirar meu foco, por isso eu acreditei. E por isso eu sei que nessa roda inconstante e avassaladora, existe o lado positivo quando eu to embaixo. Não estagnar.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

“O problema das pessoas, é que ninguém confia em ninguém”. Sábias palavras de J.
Eu me senti patética, paralisada, pasma... pela primeira vez na vida eu não sabia o que dizer, ainda que aquele fosse um dos meus assuntos preferidos.

- Você precisa ser conquistada.
- O quê?
- Nada, esquece.
- Não. Repete o que você disse...
- Você nunca amou, eu já amei.
- É, eu nunca amei. Eu nunca tive motivos para amar um homem.
- Você é muito desconfiada, Aline.
- Não, não sou não.
- É sim. Você não acredita de cara no que as pessoas dizem. Fica sempre com o pé atrás... você não consegue confiar direito no que eu estou dizendo.
- É porque eu já me ferrei muito.
- Eu também já me ferrei muito. A vida é assim. É você arriscar e ver no que da...


Eu sei, eu também já pensei assim e já agi assim um milhão de vezes, ainda que todas as pessoas a minha volta me alertassem. “Você sempre se joga demais”. E eu sempre dizia que não era uma questão de confiar nas pessoas, era uma questão de confiar em mim. “Não importa o que aconteça, eu sempre saio dessa... então eu posso me jogar”. E esse modo de agir me sustentou durante anos e anos, e eu sempre encontrei um encanto nele... de poder acreditar nas coisas de uma forma que talvez não seja tão real.

Não sei, sinceramente. Não sei mais até que ponto acreditar. Eu cansei de ouvir demais, eu quero ver. Eu não acredito mais no que as pessoas me dizem e sim no que elas me fazem. E eu sei que isso também pode ter um lado injusto...
Não vou dizer que eu não me jogue mais, mas uma parte de toda essa beleza foi embora de verdade. As coisas não são tão fantásticas e a maior parte das pessoas são egoístas e gostam de elevar o ego. A maior parte das pessoas vão sim tentar nos enganar, até quando gostarem da gente de verdade.

Eu me percebi seca, sem argumentos... eu não queria explicar as coisas que já tinham acontecido e o quanto eu já me machuquei, mas também não podia concordar com o que ele dizia. Mais uma vez eu me via desconfiada, duvidando das palavras de alguém.

- Ah, deixa disso. Você não precisa sorrir...
- Eu to feliz mesmo, é sério. Eu não me sinto assim há muito tempo.
- Até parece...

Eu ainda quero encontrar alguém em quem eu possa confiar. Mas eu sei que nunca vou poder confiar completamente em ninguém.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Não gosto de gente derrotista. Tenho nojo, ódio e vergonha de gente assim.
Não gosto de gente melodramática. Acho ridículo se fazer de coitado. Isso pra mim
É doença.
Não gosto de gente pessimista. Pessoas pessimistas, além de serem desfocadas, desagradáveis, derrotistas e medrosas, são como um câncer. E estragam a energia de qualquer ambiente, além de detonarem meu bom humor.

Também não gosto de um milhão de outros tipos de pessoas, e eu sei que nos últimos tempos eu tenho falado demais das coisas que não me agradam nos outros, mas é que meus meses tem sido muito voltados a isso. Além de observar as pessoas, e ter tido ainda mais tempo pra isso (ócio é uma merda), eu também tenho tido bastante decepções nos últimos meses.
Sinceramente eu prefiro ver isso como algo bom, não ruim. Sei lá, eu acho que tudo na vida é uma questão de foco. Quase nada é de um jeito só. Se eu focar o tempo inteiro nas coisas que não me agradam, eu me destruo. Porque vai sempre existir alguma coisa que não me agrada.
Eu comento bastante sobre isso, mas em 99% das vezes não é como reclamação e sim como reflexão. Eu tenho amadurecido muito de um ano pra Ca, e principalmente nos últimos meses. A minha cabeça mudou demais, devido a certas coisas... eu fui obrigada a me tornar mais madura e isso me ajudou a enxergar muitas coisas de uma forma diferente, e uma dessas coisas era que tipo de pessoa eu queria ter na minha vida. E as vezes fazer “uma limpa”, por mais doloroso que possa ser, é bastante necessário.

Digo que é algo bom, porque... apesar de me decepcionar, eu consigo enxergar quem é quem, e isso é muito importante. Manter certas pessoas na nossa vida é um atraso gigantesco. Se eu evito ao máximo que eu mesma me fira, não acho justo deixar que qualquer outra pessoa possa ficar fazendo isso. Se eu me podo quando me firo, e se eu me afasto da minha própria mãe por isso, por que diabos eu permitiria que qualquer outro ser humano tivesse esse poder? Já que não existe amor maior do que o que eu tenho por mim e a minha mãe. Mas eu me enfrento, e eu soube muito bem por muito tempo o que era sofrer por causa dos erros dos outros.

Eu já tive que abandonar muita coisa e abandonar muita gente. E eu aprendi que se você não tem algo, você vai achar o que presta no que você tem... até transformar isso o mais próximo possível do que você queria. Ficar se remoendo por ausências não leva a nada. Aceitar certos fatos é uma questão de maturidade e desprendimento.

Eu me sinto só, não no sentido de “estou tão sozinha sem ninguém por perto, sem ajuda”, não... não é isso. É sozinha no sentido de ter que resolver coisas que só eu posso fazer, e me desligar de certas pessoas que realmente faziam parte de mim, então é como arrancar pedaços seus. Acho que essa “solidão” me ensinou a ser mais corajosa e mais firme.
O que me sustenta é saber que apesar de uma “legião” de filhos da puta que tem aumentado cada vez mais no mundo, existem ainda algumas pessoas que prestam. Pessoas inteligentes, bonitas por dentro, agradáveis, sensatas, educadas, batalhadoras. É tão importante respeitar qualquer pessoa que seja, e ultimamente isso tem sido muito esquecido.

Não acho que viver seja tão complicado assim. Quer dizer, até é... em alguns momentos. Mas é FATO que a vida é feita de várias fases. Todas as vezes que eu fico triste, eu tenho consciência de que aquilo não passa de um momento, que deve sim ser vivido (na maior parte dos casos). Acho que a gente deve chorar mesmo, quando dói... tem que viver aquele momento, pra não deixar que ele seja de novo o momento. Não viver, calar, negar, abafar... acho que não existe nada no mundo pior do que isso.

Não é tão difícil assim viver o tempo todo. Algumas coisas machucam muito e eu sei que momentos e segundos são capazes de fazer a gente enlouquecer. Eu já enlouqueci mil vezes por dor... eu já me senti absurdamente vazia e sozinha, mesmo ”tendo tudo”. E eu sabia que não era nada que um tempo não passasse, mas enlouquecia...
Eu só acho que as vezes as pessoas reclamam demais e se fazem muito de vítimas. Pouquíssimas coisas que realmente me machucam são abertas as pessoas. Se eu contasse tudo o que eu já tive que fazer pra chegar até aqui, e tudo o que eu já vivi, eu podia me aproveitar pra chamar atenção, mas sinceramente acho ridículo. Eu prefiro que as pessoas me vejam pelas coisas que eu conquistei, do que pela ausência de qualquer coisa que eu tive na vida. Ou por pena. Pena é ridículo, eu prefiro admiração.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

...

Tudo o que existia aqui dentro foi jogado fora, tudo morreu. Não vejo mais aquela parte que um dia foi minha… e quase nada mais me toca.
Como nesses poucos anos em que estive ausente você pode se deixar perder tanto? Quem vai cuidar de você, agora que fui embora…
Não olho mais pra trás, e eu sei que um dia isso vai me cortar por dentro. Eu te vejo morrendo, mas todos os jeitos que encontro de te negar, me mantem viva. E pela primeira vez eu escolhi viver.
Eu sei que logo isso vai me pegar de surpresa. O buraco está ficando cada vez mais fundo e você não se segura.
Você teve suas chances de viver, seu tempo de escolher… e nada mais que eu faça vai poder te salvar. Meus braços nao alcançam mais o buraco em que você se enfiou, e eu nao me perderia novamente nele por você.

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