quarta-feira, 22 de julho de 2009


A medida que se cresce é comum olhar pra trás e pensar no quanto a gente não sabia muito e tudo parecia tão grande e fácil. São tantas fases que parecem ter acontecido ontem e ao mesmo tempo que o tempo passa rápido, esses poucos meses eu vi muitas formas de Aline se manifestarem. Em toda a minha vida eu nunca aprendi a cuidar tão bem de mim mesma como nesse último ano.

Essas crises de solidão, abnegações, barreiras, dificuldades. Eu nunca perdi tanto pra poder ganhar como nesses meses. Eu também nunca me calei tanto e abandonei aqueles hábitos exagerados e teimosos que muito me orgulhavam. E que apesar de serem realmente motivos de orgulho, me machucavam.

Ainda sinto saudades do sol, dói um pouco sentir alguma perna encostar nas minhas quando vou dormir. E muitas horas do dia eu me pergunto em que parte da historia se perdeu todo aquele entusiasmo e aquela alegria. Qual foi a hora que essa tristeza esquisita sequestrou o brilho sem que eu nem tenha notado? Eu entendo a raposa que ronda até atacar, mas me perco em qualquer outra forma que nunca se manifesta e mata do nada. O ponto é que eu simplesmente perdi o ponto. E não sei conde recuperá-lo.

Às vezes a gente quer mesmo dizer que é tudo culpa do inverno, que no verão a essa hora eu ainda estaria de biquíni enrolando pra dormir. Que as janelas estariam abertas, o ventilador ligado ou eu estaria voltando de algum bar qualquer. O frio sempre me recolhe, sempre da preguiça, desanimo. Não da nem vontade de sair da cama à tarde pra desenhar.
Se fosse verão eu estaria xingando pela casa o quanto me revoltava pegar ônibus e me despencar até qualquer canto embaixo de um sol insuportável que me lembrava muito o mau humor típico da TPM. Mas eu voltaria feliz. E o inverno sempre me desanima pra sair de casa.

Desgasta mesmo, eu sei. Qualquer caminho pra vitoria sem dúvidas não é feito de rosas. Existem um milhão de pontes e semi-deuses... saídas e focos. Mas se as minhas idéias não fossem fixas, eu jamais alcançaria os meus objetivos.

Capaz que eu ainda enlouqueça mais do que já enlouqueci. Me foda mais. Aquela visão tão otimista e bonita de tudo não fica mais tão presente na minha cabeça. Eu sei que as coisas não são fáceis. Mas eu não penso em desistir nunca. As coisas que eu passo são por escolhas que eu mesma fiz. E eu pago cada uma delas porque sei das recompensas.

Caiu na rotina, no desgaste, na loucura. Eu to pirando, mas to onde eu preciso estar.
É só pensar como um organismo doente. Tudo o que eu preciso fazer é agüentar firme e me cuidar, até que ele se cure.

Eu sei que se eu fosse “normal” tudo seria mais fácil. Mas seria muito menos satisfatório. Ser comum nunca coube em mim mesmo.


"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semi-deuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o."

Nietzsche

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