quinta-feira, 25 de junho de 2009


Milhões de bitucas de cigarro espalhadas pelo quarto, latinha vazia de cerveja, garrafa de vodka pela metade, jurupinga em extinção. Ah, sem contar na tequila que eu deixei cair no chão da sala final da noite, ou melhor, início do dia, quando tentei levantar pra vir “dormir”.

Tem que ta muuuuuito bêbado mesmo pra conseguir dormir aqui dentro. O quarto fede a álcool. Fede muito a álcool, cara. Você ainda tem que dividir os espaços que sobram com um monte de bêbados espalhados pela cama, chão e etc. E quase sempre algum deles agarrado no meu toba. Grande toba! Branquinho, fofíssimo e fiel companheiro de noites tristes e solitárias. Ele sempre me consola.

É tudo uma grande zona. Podreira total. Se eu contasse pra quem não me conhece que essa é uma rotina religiosa dos meus finais de semana. Que os meus domingos são dedicados a tentar recuperar a minha alma e moral e ao “bem estar da casa”, arrumando a zona e colocando tudo em ordem, ninguém acreditaria que eu perdi a virgindade com 21 anos de idade na cara. Pois é. Muito menos o meu porteiro acreditaria.
Ele sempre me vê voltando de braço dado com alguém. É um “ir e vir” de macho aqui dentro, e ele com certeza não deve achar que são só meus amigos. Que garota bonita, baladeira e jovem de Moema faz isso, além das primas? Quase sempre eu to com o sapato na mão, rindo muito alto, falando merda ou tentando falar e a saia quase virando cinto. Que cinto lindo! Me avise sempre que ela subir, Fernanda.

Colocaram corrimão lá na entrada do prédio. Eu ainda to na dúvida se é pra crianças e idosos ou se foi um gentil presente pra minha pessoa. Quando eu desço pra academia o espírito cara de pau me possui. Cumprimento todos com um enorme sorriso no rosto e uma simpatia única de “boa moça”, as bochechas ficam até douradinhas, tem que ver. Mas eu sei que eles sabem hahaha porra, se sabem! De todos os palavrões e festinhas que rolam aqui dentro. Ainda sim eu tento disfarçar.

A minha tia sabe, os vizinhos ouvem, os porteiros riem, a minha mãe desconfia. Minha Irmã ta careca de saber. Mas eles todos fingem que eu não sou nada marginal.

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O fato de ser um furacão me mata, ao mesmo tempo que me fortalece.