
“Boa noite, senhorita incógnita. Durma bem”
Aquilo soou como música aos meus ouvidos. Não que eu ache engraçadinho fazer pose de misteriosa, muito pelo contrário. Eu nunca tive essa fama, muito menos forcei a barra. Por mais que eu me expressasse bem em certos momentos ou gostasse de mostrar, eu sempre tive uma certa dificuldade em me fazer entender. O que se passa dentro da minha cabeça é completamente pessoal, e a forma que eu sempre encontrei de por pra fora, também sempre foi embaralhada. E ao mesmo tempo parecendo tão óbvia. O que de óbvio não tinha nada.
Ta certo que na convivência, sacar as minhas manias e respeitar as minhas “flutuações de humor” sempre foi “fácil”. Não no sentido de ter saco, não é disso que eu to falando. E sim no sentido de “sacar meu jeito”.
A “senhorita contradição, quase perfeita” ou “pirâmide cheia de labirintos”. É... eu sempre fui paradoxal. Sempre dividida entre o preto e o rosa, o amor e o ódio, a alegria e a tristeza. “Pensamentos levianos, outros nem tanto. Metade pureza, metade lascívia. Agridoce, podendo ser igualmente amarga para lábios desavisados. Embaralha-se em mil humores, tão inconstantes quanto a própria vida. Ela é a criança saltitante mas também o suicida em seu desvario."
Por incrível que pareça quase sempre os homens me sacaram mais, apesar de quase nunca entenderem bem o que se passava dentro da minha cabeça. Talvez por isso eu sempre tenha preferido amizades masculinas. Além de serem muito mais de farra, bebidas, piadinhas babacas e festas. Os homens são muito mais “da zona”, no sentido bom da palavra. Eu admiro a forma como eles aproveitam a vida, exceto as vezes que machucam as pessoas desnecessariamente ou não sabem a hora de parar uma brincadeira. Isso sempre fodeu ainda mais a minha TPM.
No meu último trabalho eu caí no meio de três homens. Eu era a única mulher do setor. Era um inferno, mas eu gostava. E eu sabia que seria um inferno muito maior se eu tivesse que dividir aquele espaço com mais três mulheres. Provavelmente tudo seria muito sério o tempo todo. Se eu já não agüento a minha TPM, quem dirá pro mês inteiro, uma semana pra cada. Deus me livre! Fora que mulheres são ótimas apreciadoras de besteiras e guloseimas a tarde, e eu me afasto ao máximo de pessoas que desequilibram a minha dieta.
Ah, sem contar o “melo-drama”. Mulheres são muito mais dramáticas. Eu prefiro ser direta. Não gostou, manda logo tomar no cu, porra! E até nesse ponto os homens me entendem melhor.
Se eu fosse lésbica, provavelmente eu faria o estilo “Joãozinho”e se eu fosse homem, capaz que meio mundo tivesse atrás de mim pra me encher de porrada. Acho que até hoje a minha tia se pergunta como Deus conseguiu fazer uma criatura tão feminina e tão perua, e ao mesmo tempo tão desbocada.
Sempre foi assim. Não tem mais jeito. Desde pequena eu falava palavrão pra caralho. Ouvia dos meus irmãos, dos amigos dos meus irmãos, de todos os moleques da rua. E eu vivia na rua. Mas eles eram homens, e eram mais velhos. A minha mãe cansava de me bater e me colocava sentada de frente pra parede. Aí sim eu começava a chorar. Eu odiava castigo, muito mais do que porrada. Porrada não me fazia chorar, me privar sim. Me proibir sempre me sufocou.
Ela também não pode falar muito, adora um palavrão. Se bem que pensando, eu acho que mais da metade ela aprendeu comigo.
E bom, eu só não me irrito muito pela ponta dos seus pincéis estarem sempre sujos de tinta, por você nunca saber onde as suas coisas estão e quase sempre levar séculos pra responder os meus e-mails, porque eu entendo muito bem, eu sei como é que é.
Já me disseram que era mal de tatuador, sabia? Cada dia que passa eu tenho mais certeza de estar na profissão certa.

Nenhum comentário:
Postar um comentário